segunda-feira, 14 de junho de 2010

Saúde mental: Convivendo com o diferente

Por Thaís Acácio

Nesta terça-feira, 08 de junho, foi noticiado sobre pacientes psiquiátricos de Juiz de Fora que estão sendo liberados de manicômios e não têm para onde ir. Dada essa questão devemos, enquanto profissionais chamados a falar sobre o assunto, analisar criticamente o acontecimento e seu contexto.

Como admiradora da Saúde Mental confesso ficar preocupada com a transmissão de tais informações sem uma breve contextualização teórica, como feita na maioria das vezes pela mídia. Como ter aprovação popular sobre algo tão polêmico, se não bem explicado?

Primeiramente, ao contrário do que muitas vezes criticado ao movimento antimanicomial, a intenção não é tirar os pacientes (que eu prefiro chamar de usuários de Saúde Mental), sem nenhum tipo de assistência. Afinal, não se pode negar que há um sério problema de periculosidade em alguns (e ouso dizer a minoria) deles. Além disso, como retirar um sujeito com uma vida construída em determinado modelo sem menor assistência? E quando falo uma vida não estou exagerando, 20, 30 anos preso em um lugar. O usuário tem que aprender coisas muitas vezes despercebidas de tão simples, como atravessar a rua, pegar ônibus...

Mas o que esse “novo modelo” propõe afinal? Não terei a ousadia de em breves palavras contar toda a história antimanicomial. Falemos da prática: A Lei 10.216, de 2001, Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.”. O modelo anterior não poderia ser chamado propriamente de “assistencial”, já que “jogar” uma pessoa em um local insalubre, sem humanização, não passa perto do conceito de assistência. Deve-se deixar claro que isso não acontecia por pura maldade, mas era a única possibilidade pensada até então.

Atualmente o modelo assistencial em Saúde Mental é baseado nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Neles, há a realização de projetos terapêuticos, com diversas formas de intervenção, sendo a mais usada as “oficinas terapêuticas”. Há nestas a possibilidade de interação social, análise crítica da realidade, entre muitas outras. Mas a assistência não se limita ao CAPS, é de fato uma rede de serviços: leitos psiquiátricos em hospitais convencionais, para usuários em surto; residências terapêuticas para aqueles sem possibilidade de retornar às suas casas, entre outros serviços, pautados por Leis, Portarias e Resoluções.

Retornando à reportagem, se existe toda essa assistência, por que então os pacientes estão indo para rua? Há aí várias questões envolvidas: Interesses políticos, já que manicômios geram muito dinheiro; falta de aplicação à realidade, como a grande maioria das políticas públicas, é muito bem formulada, mas pouco efetiva.

O que devemos fazer? Bom, há quem seja contra o modelo manicomial, há quem seja a favor. O que EU acredito que deva ser feito é trabalhar incansavelmente para que essas pessoas sejam assistidas, do modo mais digno e humano, sem se esquecer que viver em sociedade é conviver com o diferente!

Links sobre o tema:

http://megaminas.globo.com/2010/06/08/pacientes-psiquiatricos-recebem-alta-sem-ter-para-onde-ir

http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=925

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.708.htm

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Carta de Apresentação do Novo Centro Acadêmico de Psicologia (CAPsi)

por Rafael Alves Baracho

A construção de um curso de qualidade não é tarefa fácil. Esta qualidade advém de esforços coletivos e de medidas que considerem as contribuições de todos os grupos constituintes deste projeto comum: professores, alunos e funcionários. Porém, em nosso curso, percebeu-se que os alunos estavam sem representatividade junto aos processos de discussão e tomada de decisões em aspectos que afetam diretamente seu dia-a-dia acadêmico. O fato é que nosso CA não estava devidamente regularizado junto a instâncias superiores, apesar dos grandes esforços de seus membros em não abandonarem-no por completo, mantendo atividades de grande importância de maneira altruísta e digna de agradecimentos. Decidimos que era hora de avançar, pois um curso com alunos de grande qualidade e professores altamente capacitados, além de funcionários extremamente competentes, não poderia se deixar ser menor do que seu potencial por uma falta de troca de experiências e de representatividade estudantil.

Ao formarmos esta chapa tínhamos como intuito principal resgatar a representatividade de nosso CAPsi, para que novamente tivéssemos voz e vez em discussões e decisões que afetam nossa formação e devem, sem dúvida, contar com nossa participação institucional. Os alunos não querem tomar o poder, e que isto fique claro. Nem desconsideram o esforço de nossos professores e funcionários em manter e aumentar a qualidade de nossa formação. E esta formação é tão consistente e efetiva que nos fez tomar consciência de que devemos participar ativamente deste processo, pois somos parte fundamental desta equipe e nos colocamos à margem desta responsabilidade por certo tempo. A intenção é dividirmos esta tarefa para que ela seja ainda mais efetiva.

Objetivamos colocar em prática uma série de ideias e ideais contidas em nossa carta programa, sem prometer cumpri-las, mas sim buscar realizá-las com o apoio de todos, alunos, funcionários e professores. Mais do que isso, desejamos que o CA seja um espaço em que os alunos possam confiar e buscar apoio, pois somos mais fortes e ouvidos quando focados em um objetivo comum e justo. É nossa vontade, também, que o Centro Acadêmico seja visto como parceiro dos professores, pois nossas opiniões e discussões terão o objetivo de melhorar a qualidade do trabalho de todos. Por fim, entendemos que este processo tem como intenção dar a melhor qualidade possível a nossa formação, pois, é através dela que entraremos no mercado de trabalho, intervindo na vida das pessoas e levando o nome desta instituição junto a nossas práticas.