Por Thaís Acácio
Nesta terça-feira, 08 de junho, foi noticiado sobre pacientes psiquiátricos de Juiz de Fora que estão sendo liberados de manicômios e não têm para onde ir. Dada essa questão devemos, enquanto profissionais chamados a falar sobre o assunto, analisar criticamente o acontecimento e seu contexto.
Como admiradora da Saúde Mental confesso ficar preocupada com a transmissão de tais informações sem uma breve contextualização teórica, como feita na maioria das vezes pela mídia. Como ter aprovação popular sobre algo tão polêmico, se não bem explicado?
Primeiramente, ao contrário do que muitas vezes criticado ao movimento antimanicomial, a intenção não é tirar os pacientes (que eu prefiro chamar de usuários de Saúde Mental), sem nenhum tipo de assistência. Afinal, não se pode negar que há um sério problema de periculosidade em alguns (e ouso dizer a minoria) deles. Além disso, como retirar um sujeito com uma vida construída em determinado modelo sem menor assistência? E quando falo uma vida não estou exagerando, 20, 30 anos preso em um lugar. O usuário tem que aprender coisas muitas vezes despercebidas de tão simples, como atravessar a rua, pegar ônibus...
Mas o que esse “novo modelo” propõe afinal? Não terei a ousadia de em breves palavras contar toda a história antimanicomial. Falemos da prática: A Lei 10.216, de 2001, “Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental.”. O modelo anterior não poderia ser chamado propriamente de “assistencial”, já que “jogar” uma pessoa em um local insalubre, sem humanização, não passa perto do conceito de assistência. Deve-se deixar claro que isso não acontecia por pura maldade, mas era a única possibilidade pensada até então.
Atualmente o modelo assistencial
Retornando à reportagem, se existe toda essa assistência, por que então os pacientes estão indo para rua? Há aí várias questões envolvidas: Interesses políticos, já que manicômios geram muito dinheiro; falta de aplicação à realidade, como a grande maioria das políticas públicas, é muito bem formulada, mas pouco efetiva.
O que devemos fazer? Bom, há quem seja contra o modelo manicomial, há quem seja a favor. O que EU acredito que deva ser feito é trabalhar incansavelmente para que essas pessoas sejam assistidas, do modo mais digno e humano, sem se esquecer que viver em sociedade é conviver com o diferente!
Links sobre o tema:
http://megaminas.globo.com/2010/06/08/pacientes-psiquiatricos-recebem-alta-sem-ter-para-onde-ir
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=925
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm

Thaís, espero ver um post aqui também dizendo sobre o que o município tem feito para dar assistência aos egressos de hospitais psiquiátricos e demais usuários da rede de saúde mental... Que o jornal publica matérias por puro sensacionalismo, tudo bem. Mas o município tem deixado a desejar, SIM, e dado abertura para que estas matérias existam.
ResponderExcluirMuita política, e pouca clínica! Tá na hora de parar de contar números nessa cidade!
Olá,
ResponderExcluirObrigada pelo comentário. Mas não entendi muito bem o "discordar", já que concordo que o município não tem dado assistência, e disse isso no meu texto.
Acredito que o "muito política, e pouca clínica!" se encaixe na parte do texto "como a grande maioria das políticas públicas, é muito bem formulada, mas pouco efetiva". Ou será que não me fiz entender?
De qualquer modo muito obrigada pela consideração de ler e comentar! Infelizmente você não se identificou, gostaria de poder conversar pessoalmente sobre o assunto, já que lhe interessa!
abraços,